Amílcar Cabral nasceu em Bafatá (Guiné) em 1924, filho de Juvenal Cabral e Iva Pinhel Évora.
Em 1933 frequentou a escola primária na Cidade da Praia, tendo concluído os estudos secundários no Mindelo, Ilha de S. Vicente, em 1944.
Nos anos 40 assina os seus primeiros cadernos de poesia intitulados Nos Intervalos da Arte Minerva, Quando o Cupido Acerta no Alvo, e o ensaio Hoje e Amanhã.
Em 1945 obtém uma bolsa de estudo da Casa dos Estudantes do Império e inicia os seus estudos universitários em Lisboa no Instituto Superior de Agronomia. Distinguiu-se como aluno, intelectual e particularmente pelas actividades políticas e culturais desenvolvidas na Casa de África, na Casa dos Estudantes do Império (da qual foi vice-presidente entre 1950 e 1951) e no Centro de Estudos Africanos. Em 1952 apresenta a tese de final de curso sobre a erosão dos solos agrícolas, a partir de uma investigação no concelho de Cuba (Alentejo).Em 1952 regressa à Guiné, assumindo o cargo de Director do Posto Agrícola Experimental de Pessubé, em Bissau. Em Agosto de 1953, efectuou o recenseamento agrícola da Guiné Bissau, o que lhe permitiu um aprofundamento do conhecimento da sociedade guineense. No seguimento desta actividade publicou vários artigos no Boletim Cultural da Guiné Portuguesa.
Em 1955 é aconselhado a abandonar a Guiné, face ao seu envolvimento nos movimentos anti-colonialistas. Até final de 1959, reside em Lisboa, desempenhando contudo um conjunto de actividades em Angola, participando na formação do MPLA.
A 19 de Setembro de 1956, numa visita a Bissau, propõe a formação do Partido Africano da Independência (PAI), numa reunião que contou com a participação de Aristides Pereira, Luís Cabral, Júlio de Almeida, Fernando Fortes e Eliseu Turpin. O Partido Africano da Independência acabaria por se designar Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) em 1960.
Em 1960, Amílcar Cabral encarrega-se da denúncia internacional do colonialismo português e contribui para a formação de organizações unitárias de luta.
Em 3 de Agosto de 1961, o PAIGC, solidarizando-se com o MPLA, proclama a «acção directa». A 23 de Janeiro de 1963, após uma série de propostas de conversações apresentadas ao Governo Português e através da ONU, desencadeia a sul do território, a luta armada de libertação nacional.
Durante o ano de 1964, Cabral preside ao congresso do PAIGC, em Cassasaca, participa no Seminário organizado pelo Centro Frantz Fanon, de Milão. Em 1966 intervém na Conferência Tricontinental realizada em Havana, encontrando-se com Fidel Castro.
Em 1970 realiza uma conferência intitulada Libertação Nacional e Cultura, em homenagem a Eduardo Mondlane na Universidade de Siracusa (EUA). Em Abril do mesmo ano participa nas comemorações do centenário de Lenine. Em Junho assiste à Conferência Internacional de Apoio aos Povos das Colónias Portuguesas, realizada em Roma, e tem uma audiência com o Papa Paulo VI.
Em 1972 destaca-se a sua intervenção no Conselho de Segurança reunido em Adis-Abeda, na qual realiza um apelo à ONU no sentido de enviar uma missão de visita às regiões libertadas. Esta missão viria a realizar-se entre 2 e 8 de Abril de 1972 e contribuiu para o reconhecimento internacional do PAIGC como representante legítimo do povo da Guiné-Bissau e Cabo Verde. Em Outubro do mesmo ano dirige-se à IV Comissão da Assembleia Geral da ONU.Na noite de 20 de Janeiro de 1973 é assassinado.